MATO GROSSO: Estado com mais incidência de hanseníase no país redobra atenção para casos entre crianças

Com 14 anos, a maioria das adolescentes deveria se preocupar em ir à escola. No caso de Alzira Rodrigues, não foi bem assim. Isso porque ela diagnosticada com hanseníase em 1968, em Poconé, no interior do estado. A vida mudou por ter pais e colegas que pediam para ela ser afastada do colégio. Até em casa a família comprava itens separados, como talheres e louças, para evitar uma possível contaminação. No início, Alzira apenas sentia fraqueza nas mãos.

“Eu fiquei indisposta nas mãos, aí começou a atrofiar. Hoje eu tenho as mãos e os pés bastante atrofiados. Eu fico o maior tempo em cadeira de rodas. Eu faço parte de um grupo de pessoas com Hanseníase, eu formei um grupo aqui em Mato Grosso. Todas as quartas-feiras a gente se reúne para fazer trabalhos manuais, bordado, pintura, essas coisas. E aí a gente sai dando palestras e orientando as pessoas a não desistir do tratamento, para tomar cuidado para não ficar como eu fiquei”, recorda.

Por causa da condição, Alzira, na época com 17 anos, foi levada pelo pai para São Paulo. Hoje mora em Poconé, já completamente curada da doença, e tem uma vida normal com seu marido, que também superou a hanseníase, e os sete filhos. Ela também faz trabalhos voluntários para informar as pessoas sobre a doença. E no estado onde mora, isso é fundamental. Isso porque o Mato Grosso tem a maior incidência de hanseníase do país. Segundo dados parciais do governo estadual, foram registrados 4.540 casos novos apenas em 2018. Apenas na população abaixo dos 15 anos, faixa etária de Alzira à época que foi infectada, foram 186 novas notificações. O coordenador do Programa Estadual de Enfrentamento da Hanseníase no Mato Grosso, Cícero Fraga, explica que os casos entre crianças e jovens gera preocupação por conta da cadeia de transmissão da bactéria.

“Quando tem esse aumento em menores de 15 anos, isso significa uma preocupação maior. Porque se o período de encubação da doença leva de dois a dez anos, é inadmissível a gente ter crianças portadoras de hanseníase. Então, quando a gente identifica esse número de casos, significa que a doença está ativa e que tem um adulto sem tratamento próximo dessa criança que possa ter transmitido para ela”, explica.

Arte: Sabrine Cruz

Por isso, o importante é ficar atento aos sinais do seu corpo. Ao surgimento de qualquer mancha em que você perceba a perda ou diminuição da sensibilidade ao toque, calor ou frio, procure a Unidade Básica de Saúde mais próxima. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, menores as chances de sequelas. A hanseníase tem cura e o tratamento está disponível gratuitamente no SUS. Por isso, não esqueça: identificou, tratou, curou. Para mais informações, acesse: saude.gov.br/hanseniase. Ministério da Saúde, Governo Federal. Pátria Amada Brasil.

 

 

Agência Radio Brasil

25, abril, 2019|