Mário Kono exorta alunos a formar convicções e ter pensamentos próprios

Alunos do 9º e 10º semestres do curso de Direito da Universidade de Cuiabá (Unic) visitaram o Tribunal de Justiça de Mato Grosso, na tarde de quarta-feira (30 de outubro), para conhecer na prática o que os professores ensinam em sala de aula. O grupo de 56 universitários percorreu o prédio do TJ e também assistiu a uma sessão de julgamento da 3ª Câmara Criminal.

Lorena Lopes Murtinho de Paula ressalta que não conhecia a sede da Segunda Instância da Justiça Estadual e aproveitou todas as oportunidades para ampliar o conhecimento já adquirido. “A visita ao Tribunal abre a nossa mente, pois percebemos que a prática é bem diferente de conhecer apenas a teoria e, por mais que façamos outros trabalhos visando implementar nosso estudo, assistir a um julgamento na prática é diferente de tudo que pensamos”.

Alinhar a prática com a teoria era justamente o objetivo do professor Rafael Alves Nespolo, que trouxe os alunos para a excursão pelo TJ. “A vantagem primordial desse encontro entre desembargadores e alunos é fazer a aproximação entre a matéria que têm na classe e na prática. Nada melhor que assistir a uma sessão de julgamento para fazer essa síntese, por mais que tenhamos aulas no Núcleo de Práticas Jurídicas assistir a julgamentos é um diferencial para esses universitários.”

Os alunos foram recepcionados pelo desembargador Mário Kono, no Espaço Memória do Tribunal de Justiça. O magistrado aproveitou para explicar que dedicação e querer são as chaves do sucesso, e, por isso, é necessário se esforçar para alcançar o que almeja, como advogado ou servidor público. Ele ressaltou ainda que não há desculpas para quem quer crescer na vida e, para exemplificar, contou aos alunos que desde os 13 anos já trabalhava como entregador de remédios e estudava também, assim como outros magistrados que conhece e que começaram a vida como boiadeiro ou lavrador.

“Trabalhar e estudar não significa saber menos. O direito é uma matéria em que pode-se ser autodidata, pois tudo está nos livros e na internet. Terminar a faculdade, passar no exame da Ordem e ser um bom profissional é questão de força de vontade e dedicação. Nossa responsabilidade, enquanto operadores do Direito, é grande. Precisamos zelar pela democracia e pela ordem social no Brasil. Temos que ser garantistas”, concluiu.

O magistrado também incentivou os alunos a estudarem muito para que tenham pensamentos próprios e saibam divergir das ideias coletivas quando necessário. “Analisem antes de seguir uma multidão que não enxerga. Vejam, em todas as esferas há divergência de pensamentos e é uma das belezas do Direito, mas precisa ser raciocinada. Que os senhores sejam a favor ou contra algo, mas peço que tenham conhecimento para formar as próprias convicções.”

A visita guiada foi conduzida pelo servidor Neif Feguri e faz parte do projeto Nosso Judiciário, que mostra aos visitantes um pouco do passado e do presente da Instituição. Todos receberam um glossário jurídico que irá auxiliar nos estudos.

Por; Keila Maressa / Fotos: Alair Ribeiro

31, outubro, 2019|