Juizado do torcedor garante tranquilidade para frequentadores da Arena Pantanal

A Arena Pantanal, em Cuiabá, serviu de palco para a abertura da segunda rodada do Campeonato Brasileiro de Futebol da Série B com a partida entre o Cuiabá e  Operário do Paraná. O jogo, vencido pela equipe da casa, com o placar de 2 x 1, marcou mais uma ação bem sucedida do Juizado Especial do Torcedor (JET). “Tudo foi muito tranquilo, e sem nenhum incidente. Nosso planejamento e organização foram dentro da nossa expectativa”, avalia a juíza Patrícia Ceni.

Essa tranquilidade, de acordo com o coordenador de competições da Federação Mato-grossense de Futebol (FMF), Luís Carlos Dorileo, é fruto especialmente do trabalho desempenhado pelo JET. “O Juizado é um parceiro da nossa Federação, e temos um relacionamento muito bom. A doutora Patrícia acompanha tudo, antes e durante as partidas, e isso nos dá segurança. Ela também atende aos clubes com a mesma simpatia e determinação”, relata Dorileo.

O diretor da FMF destaca ainda que a presença do JET inibe qualquer possibilidade de ação fora das regras que venham a ser pensada por torcedores e até dirigentes de clubes. “Ficam com um pé atrás, porque sabem que o JET está na área e é muito atuante”, acrescenta Dorileo. Ele cita até a entrada e saída de crianças do campo antes de partidas. Tudo é muito sério, e o JET faz esse espetáculo ficar mais atraente.

O Juizado, por exemplo, só permite que as crianças participem da entrada com

os jogadores com autorização expressa dos pais, ou responsáveis diretos. E na saída também essas crianças são entregues para quem autorizou. É muito profissionalismo. Isso mostra seriedade e competência”, diz o coordenador de competições da FMF.

“Somos sócios do Cuiabá, e sempre venho com meus filhos assistir aos jogos. E hoje meu filho (Pedro) entrou com os jogadores. Vi que o Juizado, quando exige a autorização, trata essa apresentação com muita seriedade. Isso é correto, e nos proporciona segurança”, testemunhou o empresário Marcelo Corrêa.

Quem também aprovou o trabalho do JET foi o empresário César Augusto Ferreira. “Não sabia que havia a atuação da justiça dentro da Arena Pantanal. Isso é mais um atrativo que nos proporciona mais segurança, principalmente porque é um ambiente frequentado por pessoas de todas as idades. Estão comigo, por exemplo, meu filho e um amiguinho dele. Então, estamos tranquilos, porque tem segurança e envolvimento da justiça”, considera César Augusto.

“Nossa movimentação, que começa com reuniões de pré-evento, é em todos os sentidos para que os eventos, como futebol de campo e de salão, vôlei, basquete e até montaria em touros, como já atuamos, no Ginásio Aecim Tocantins, sejam realizados dentro da normalidade”, expressa Patrícia Ceni, frisando que quando acontece qualquer incidente, como brigas entre torcedores, faz audiência na hora, em tempo real.  E se não conseguir resolução faz os encaminhamentos necessários.

“Se vem alguém encaminhado por policiais militares acusado de delito, durante o evento, que possui antecedentes criminais, ou está monitorado com tornozeleira eletrônica, e já não tem benefício da lei, faço o encaminhamento imediato  para a Polícia Civil”, explica a magistrada. Patrícia Ceni lembra que todas as diretrizes estabelecidas na legislação têm que ser cumpridas. “Verificamos, inclusive, nas lanchonetes e nos camarotes, que fazem open bar, se estão comercializando apenas bebidas autorizadas. Essa fiscalização é feita no estacionamento, antes da mercadoria subir para esses ambientes. Nosso olhar é constante”, avisa a juíza.

“Estou surpreso com a organização, e com a preocupação dessas pessoas da justiça. Fomos muito bem atendidos. E muita gente não sabe dessa estrutura de apoio. Vim com meu irmão (Juracir), que é cadeirante vítima de AVC (acidente vascular cerebral), e vou trazê-lo novamente. Tem lugar reservado até para acompanhante, e o melhor é que não paga e, além disso, o estacionamento é bem próximo. Tudo muito bom”, assegura Leovaldo Santos.

“Como disse, nos preocupamos com tudo que está sob nossa responsabilidade e atuação. Geralmente, além de brigas, e graças a Deus não tivemos nenhuma hoje, recebemos denuncia de venda de ingressos fora da bilheteria. Cambismo é crime. O que acontece aqui não é vender o ingresso com outro valor, mas pessoas comercializando ingressos gratuitos, para cadeirantes, por exemplo, ou de patrocinadores. Ai, junto aos policiais (Militar e Civil) entramos em ação”, evidencia a juíza.

A equipe do JET, composta pela magistrada, uma gestora, dois assessores, três auxiliares da Vara da Infância e Juventude e um técnico em informática, começa a atuar quatro horas antes e só sai do evento quando o local estiver esvaziado. E no mês de junho, O JET vai trabalhar, no Aecim Tocantins, nos Grand Prix de handebol e vôlei com seleções de vários países.

Por; Álvaro Marinho

Foto; reprodução

7, maio, 2019|