Intelectuais do mundo inteiro assinam carta contra festa para ditadura

Vítimas da ditadura esperam que documento pese na decisão do STF de impedir ascomemoração do aniversário do Golpe Militar, que deve ser divulgada ainda hoje

Um grupo de mais de cem intelectuais de diferentes partes do mundo assinam uma carta pública de repúdio à ordem do Presidente da República do Brasil, Jair Bolsonaro, para que as unidades militares comemorem o aniversário do Golpe Militar e a consequente instauração da ditadura no 31 de março de 1964.

Entre os nomes que se manifestaram estão os argentinos Adolfo Peres Esquivel, ativista de Direitos Humanos e vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 1980 e Nora Cortiñas, fundadora das Madres de la Plaza de Mayo; Margaret Archer, presidente da Pontifícia Academia de Ciências Sociais do Vaticano; o sociólogo Didier Fassin, da Universidade de Princeton; e o sociólogo francês Alain Caillé.

Os brasileiros, estão representados pelo escritor, cantor e compositor Chico Buarque de Holanda; a cineasta Tata Amaral e a psicanalista Maria Rita Kehl, entre muitos outros.

O apoio foi pedido pelas vítimas e familiares de vítimas da ditadura que aguardam hoje (29/3) uma decisão o Supremo Tribunal Federal em relação ao mandado de segurança para impedir os festejos de aniversário da ditadura.

O texto assinado pelos intelectuais diz que “O Presidente da República se comprometeu há menos de 100 dias a defender e implementar as normas emanadas da Constituição Federal de 1988. O texto constitucional não é um amontoado de palavras cujo sentido pode ser arbitrariamente estabelecido e interpretado por nenhum agente público, muito menos pelo Presidente da República.”

Eles terminam o documento afirmando que “a decisão [do presidente] atenta contra o povo brasileiro, contra o projeto de um país inclusivo, contra normas nacionais e internacionais e contra todas e todos que lutam em diferentes partes do mundo por justiça, reparação e pela não repetição de arbítrios e barbáries. Democracia e tortura não andam de mãos dadas.”

Autores da ação que tramita no STF: Tatiana Merlino, Angela Mendes de Almeida, Amelinha Teles, Janaina Teles, Edson Teles, Crimeia Alice de Almeida e familiares de Herzog, através do Instituto Herzog. Todos reconhecidos como vítimas ou familiares vítimas da Ditadura Militar pela no relatório da Comissão Nacional da Verdade, publicado em 2014.

Leia a carta na íntegra no anexo.

 

Fonte Heloisa Machado- Advogada

Foto; Reprodução

29, março, 2019|