Grupo da “lava jato” pede demissão coletiva da PGR em protesto contra Raquel Dodge

Alegando “grave incompatibilidade de entendimento”, seis procuradores que compõem o grupo de trabalho da “lava jato” enviaram um comunicado de demissão por meio de mensagem a grupos coletivos de trabalho das forças-tarefas da operação em Curitiba e no Rio.

Os procuradores Raquel Branquinho, Maria Clara Noleto, Luana Vargas, Hebert Mesquita, Victor Riccely e Alessandro Oliveira contestam uma manifestação enviada pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, ao Supremo Tribunal Federal na noite da última terça-feira (3/9).

A insatisfação deles se deve ao fato de que Dodge pediu para arquivar preliminarmente trechos da delação de Leo Pinheiro que citavam presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o ex-prefeito de Marília (SP) José Ticiano Dias Toffoli, irmão do presidente do Supremo Tribunal Federal.

“Foi um grande prazer e orgulho servir à Instituição ao longo desse período, desempenhando as atividades que desempenhamos. Obrigada pela parceria de todos vocês. Nosso compromisso será sempre com o Ministério Público e com a sociedade”, escreveram os demissionários.

Em nota, ao confirmar que recebeu o pedido de desligamento de integrantes de sua equipe na área criminal, Dodge  reafirmou que, em todos os seus atos, “age invariavelmente com base em evidências, observa o sigilo legal e dá rigoroso cumprimento à Constituição e à lei e que as suas manifestações são submetidas à decisão do Supremo”.

Inimiga
Em agosto, mensagens divulgadas pelo site The Intercept Brasil, em parceria com o jornal El País mostravam que procuradores da “lava jato” consideravam a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, um entrave e uma espécie de inimiga interna da operação. Eles até discutiram estratégias para pressionar Dodge, por meio da imprensa, a enviar ao STF o acordo de delação premiada do ex-presidente da OAS Leo Pinheiro, a principal testemunha da “lava jato” contra o ex-presidente Lula.

*Reportagem atualizada às 20h43 de 4/9/2019 para correção de informação. A PGR pediu arquivamento de trechos da delação que citavam José Ticiano Dias Toffoli, ex-prefeito de Marília (SP), e não José Antônio Dias Toffoli, presidente do STF. Fonte; Conjur; Foto Reprodução

5, setembro, 2019|