Deputada Janaina atuara como assistente de acusação no caso grampolândia

O juiz Marcos Faleiros, da 11º Vara Militar de Cuiabá, autorizou a deputada estadual Janaina Riva (MDB) a atuar como assistente de acusação na ação penal que apura o esquema de interceptações telefônicas ilegais em Mato Grosso, conhecido como “grampolândia pantaneira”. O magistrado emitiu a decisão nesta terça-feira (6).

Faleiros atende a um parecer favorável do Ministério Público Estadual (MPE), assinado pelo promotor de Justiça Allan Sidney do Ó Souza, e encaminhado para a Justiça Militar no dia 26 de julho, após um pedido da própria parlamentar.

De acordo com a determinação do juiz, a parlamentar deverá ter acesso a todo o processo no estado em que se encontra atualmente.Conforme depoimentos de réus no caso, Janaina teria sido gravada de forma ilegal.

Durante reinterrogatório, em julho, o cabo da Poliícia Militar Gerson Correa Júnior – réu confesso na ação penal – revelou que a deputada foi grampeada por meio de “barriga de aluguel” (quando números de pessoas comuns são listados como se pertencessem a alvos de investigações policiais) a pedido do promotor de Justiça Marco Aurélio de Castro, à época chefe do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do MPE.

O cabo da Polícia Militar Gerson Correa entregou à Polícia Judiciária Civil dispositivos que supostamente contém ligações que comprovariam o esquema de interceptação telefônica ilegal em Mato Grosso. De acordo com a PJC, o material foi encaminhado à perícia.

De acordo com informações da Polícia Civil, um pendrive foi apresentado por Gerson como meio de prova, a um futuro direito a colaboração premiada. Segundo a PJC, o material recebido foi encaminhado à perícia. A investigação sobre o caso está sendo feita pelos delegados Jannira Laranjeira Siqueira Campos, Luciana Batista Canaverde e Rafael Mendes Scatolon.

Em depoimento no último mês de julho o militar deu mais detalhes sobre o esquema, citando a participação de membros do Gaeco, e dizendo que quem poderia ter outros dispositivos com ligações interceptadas ilegalmente seria o ex-secretário Paulo Taques, pois Gerson afirmou que destruiu boa parte dos equipamentos.
A informação de que Janaina teria sido grampeada de forma ilegal estremeceu a relação entre Assembleia e Ministério Público Estadual, com a ameaça de se instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito.

O procurador-geral de Justiça, José Antonio Borges, chegou a ser convidado para ir ao Legislativo prestar esclarecimentos sobre a atuação do Gaeco.

 

 

Redação JA/ Foto; AL

 

 

 

 

 

 

 

 

7, agosto, 2019|