Custo do transporte doméstico é o principal entrave às exportações na região Centro-Oeste

05/12/2018 – O alto custo do transporte doméstico é o principal entrave enfrentado por empresas da região Centro-Oeste que operam no comércio exterior. Esse fator, que pondera o transporte desde a empresa até o ponto de saída do país, é considerado muito impactante por 73,9% das exportadoras, numa escala de criticidade que vai de um a cinco. Um dos fatores por trás desse diagnóstico é o problema logístico de escoamento da produção agroindustrial. O Centro-Oeste é a região mais desconectada e que possui menos oferta de serviços de transporte.

A análise consta da pesquisa “Desafios à Competitividade das Exportações Brasileiras” de 2018, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O estudo, o maior realizado no Brasil, ouviu 589 empresas exportadoras e apresenta um raio-X dos problemas que os empresários brasileiros enfrentam para poder vender bens e serviços para o exterior.

Para facilitar uma visão mais agregada dos problemas enfrentados pelos exportadores, a pesquisa agrupou os problemas citados pelas empresas em oito categorias. Os entraves foram divididos em macroeconômicos; institucionais e legais; burocráticos, alfandegários e aduaneiros; acesso a mercados externos; tributários; mercadológicos e de promoção de negócios; logísticos; e internos às empresas.

Na avaliação do presidente do Sistema Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Sistema Fiemt), Gustavo de Oliveira, a pesquisa mostra que os exportadores brasileiros têm muitas dificuldades para atingir o mercado externo principalmente pelo alto custo logístico de toda a cadeia de exportação.

“Isso passa pelo fato de que a imensa maioria das empresas, mais de 90% das pesquisadas, utilizam o modal rodoviário, que possui um custo muito maior, até os gargalos logísticos como os portos e aeroportos que têm uma capacidade de operação insuficiente, limitada e ainda cobram altíssimas tarifas. Então, a precariedade dessa estrutura logística para exportação tanto nos meios de transporte quanto nos terminais exportadores apresentam um grande grau de restrição”, avalia Oliveira.

Na sequência, os entraves considerados mais críticos para as empresas na região são leis conflituosas, complexas e pouco efetivas (62,2%), proliferação de leis, normas e regulamentos de forma descentralizada (60,9%), elevadas tarifas cobradas por portos e aeroportos (59,7%) e elevadas tarifas cobradas por outros órgãos anuentes (59,6%). O presidente do Sistema Fiemt reforça que as questões burocráticas, principalmente na área tributária, criam custos adicionais de exportação.

“Nós temos muitas tarifas de importação nos países de destino das nossas mercadorias. Então, alguma competitividade que se ganhe no processo produtivo acaba ficando perdido com a ineficiência que é causada com a complexidade tributária aqui no Brasil, por barreiras tributárias e alfandegárias nos países de destino, que fazem com que haja uma dificuldade de contornar esse problema financeiro”, pontua o presidente.

De acordo com o estudo, a quantidade de exportadores que se consideram afetados pela capacidade governamental de promover o acesso a mercados externos e pela abrangência dos acordos comerciais existentes é de, respectivamente, 50,5% e 43,9% no Centro-Oeste. E, ainda, mais de 20% das empresas localizadas na região querem ampliar o volume de vendas atual ou estabelecer novas relações comerciais com a China.

“Podemos notar que, embora a China seja um grande destino do ponto de vista do desejo do exportador brasileiro em todos os segmentos, os principais destinos ainda são Estados Unidos, Argentina e os países vizinhos como Paraguai, Chile, Colômbia e Bolívia. Então, o país precisa aumentar essa pauta bilateral com a China, Índia, México e outros países que possam absorver os nossos produtos e onde existem demandas por produtos brasileiros”.

Quando questionadas sobre a utilização de Certificação de Origem, apenas em 25,9% das empresas no país emitem o documento com assinatura digital. “Há também de se fazer uma preparação dos empresários brasileiros para exportação com qualificação para que possam conhecer os sistemas digitais de certificação dos produtos, ter financiamento para exportação e também garantias nesse processo. Essas são algumas das ações que nós precisamos desenvolver no país para fazer o fomento à cultura exportadora nacional”, avalia Oliveira.

Brasil – No país, elevadas tarifas cobradas por portos e aeroportos são considerados muito impactantes por 51,8%das empresas exportadoras. Na sequência, outros três entraves considerados críticos por uma quantidade elevada de exportadores (41% a 43,4%) são a dificuldade de oferecer preços competitivos, as elevadas taxas cobradas por órgãos anuentes e os elevados custos do transporte doméstico (da empresa até o ponto de despacho das mercadorias). No estudo, esses são os percentuais das empresas que indicaram quatro ou cinco em cada entrave – o que significa que esse entrave “impacta muito” ou que ele é “crítico”, respectivamente.

PERFIL DAS EMPRESAS EXPORTADORAS – As empresas de micro, pequeno e médio porte são 77,2% dos exportadores brasileiros representados na pesquisa. Segundo o Serviço de Estatística da União Europeia, o Eurostat, utilizada como parâmetro, companhias que empregam de 1 a 49 funcionários são consideradas micro e pequenas empresas. As empresas de médio porte possuem entre 50 e 250 empregados, e as grandes empresas têm 250 ou mais funcionários.

Aproximadamente um terço dos exportadores possui um faturamento anual bruto de até R$ 10 milhões e outros 36,3% faturam anualmente entre R$ 10 milhões e R$ 50 milhões. A maior parte das empresas exportadoras se concentra no Sul e Sudeste do país. Juntas, as duas regiões geográficas abrigam 90,8% dos exportadores, sendo que 58,3% das empresas se localizam nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

A PESQUISA – A pesquisa “Desafios à Competitividade das Exportações Brasileiras” de 2018 ouviu 589 empresas exportadoras entre outubro de 2017 e março de 2018 e apresenta um raio-X dos problemas que os empresários brasileiros enfrentam para poder vender bens e serviços para o exterior. A maioria das empresas atua no comércio exterior há mais de 10 anos, o que revela a persistência dos problemas apontados por elas.

Na edição anterior da pesquisa, publicada em 2016, o custo do transporte figurava como o obstáculo considerado mais crítico pelos empresários, seguido pelas tarifas cobradas por portos e aeroportos e pela baixa eficiência governamental no apoio à superação das barreiras às exportações.

Acesse a pesquisa na íntegra aqui – https://bit.ly/2FZTt6H

HOTSITE – Por meio da página http://desafiosexport.org.br/, é possível realizar o cruzamento de todos os dados da pesquisa “Desafios à Competitividade das Exportações Brasileiras” de 2018 e encontrar dados tanto por porte empresarial quanto por regiões geográficas. O hotsite traz dados segmentados por porte, receita bruta, setor de atuação, participação das exportações na receita, frequência de exportação e principal modal utilizado, por exemplo. Também é possível encontrar, por região, os principais destinos das exportações e a quantidade de mercados para os quais as empresas brasileiras vendem seus produtos e serviços.

 *Assessoria de Comunicação Sistema Fiemt com Agência CNI de Notícias

5, dezembro, 2018|