Cápsula do tempo guarda memórias de desembargadores e será aberta em 2064

Guardar as memórias dos desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso em uma cápsula do tempo, que só será aberta daqui a 45 anos, quando a instituição completar 190 anos de instalação. Essa foi uma das iniciativas da atual gestão do Poder Judiciário de Mato Grosso, presidida pelo desembargador Carlos Alberto Alves da Rocha, para marcar o aniversário de 145 anos do TJMT, celebrado em 1º de maio.

Os magistrados aproveitaram a solenidade de celebração do aniversário da instituição para colocar textos e objetos na cápsula, que, após ter sido soldada, ficará guardada pelos próximos 45 anos no Espaço Memória do TJMT.

O desembargador-presidente revela ter deixado para a posteridade uma série de memórias, “para a sociedade e para um monte de gente. É uma surpresa para daqui a 45 anos”, falou Carlos Alberto, sem revelar o que deixou guardado em seu envelope. “Quem viver até lá poderá ver o que foi escrito e tirar suas conclusões. O Poder Judiciário deixará no Espaço Memória os envelopes lacrados, contendo textos escritos pelos desembargadores, gravuras, fotos, que estão depositados numa cápsula do tempo que ficará fechada até 2064. Ela guarda a mensagem, em papel, de cada um dos desembargadores do TJMT”, salientou.

Para o desembargador Luiz Ferreira da Silva, corregedor-geral da Justiça, a ideia do presidente é fantástica. “Deu a oportunidade a cada um de nós colocarmos no papel a expectativa que a gente tem do Tribunal para a nossa futura geração, no caso, meus netos e talvez até bisnetos. Espero que o Tribunal esteja pronto para aquele tempo que virá, composto, acima de tudo, por homens e mulheres bem intencionados, tal qual nós hoje temos o prazer de contar com os membros que administram o Tribunal de Mato Grosso. Espero o que todo mundo almeja: que o Tribunal seja rápido, célere e, acima de tudo, ao alcance de todo aquele que precisar de uma decisão judicial. O TJMT que qualquer pessoa almeja existir, tendo certeza de que, quando precisar, terá nos membros daquele Tribunal homens e mulheres dispostos a aplicar a boa justiça, com rapidez, celeridade e muita imparcialidade”, ressaltou.

Já o desembargador Orlando de Almeida Perri, decano da Corte, aproveitou a oportunidade para deixar uma carta escrita para sua pequena filha. “Estou deixando uma carta para minha filha, onde eu expresso todo o meu sentimento por ela e o que eu desejo para a vida dela. Falo um pouco sobre a minha vida na magistratura, enfim, eu penso que essa carta é destinada particularmente a ela. Não falei o que posso imaginar de como estará o Judiciário porque acredito que, do jeito que anda a passos largos o nosso mundo e a nossa tecnologia, é inimaginável como é que vai estar o planeta Terra daqui a 45 anos. Eu espero que o homem esteja melhor, que os nossos filhos e netos estejam vivendo num mundo melhor. E nós trabalhamos na justiça fazendo a nossa parte exatamente com o propósito de melhorar a vida dos habitantes desse planeta”, destacou.

A desembargadora Helena Maria Bezerra Ramos, mais nova magistrada a integrar o TJMT, deixou uma carta escrita, descrevendo fatos da vida pessoal e desejos para o Judiciário no futuro. “Deixei registrado que entrei na magistratura há 30 anos, quando ainda era século 20. Hoje já estamos no século 21. Que comecei sentenciando numa máquina de escrever manual e hoje estamos sentenciando e fazendo acórdão em computador. Falei da luta das mulheres para vencer nessa sociedade predominantemente machista, que as mulheres têm que trabalhar dobrado para dar conta de tudo. Falei que somos 10 mulheres de 30 desembargadores. Também falei um pouco de mim, meu nome, que sou cuiabana, casada. Enfim, fiz uma carta, de uma folha só, a quem interessar. Escrevi também o que espero deles no futuro e que pessoas eu espero que eles sejam. Espero que seja um Judiciário cada vez mais ágil e justo”, observou.

 

 

Por; Lígia Saito/TJMT

3, maio, 2019|