Bolsonaro sobe 7 pontos pós-facada; Haddad ganha 15 sem Lula

19/09/2018 – O Terra compilou os resultados obtidos pelos principais institutos do Brasil, e os colocou ao lado dos fatos políticos mais importantes.

última pesquisa do Ibope, divulgada nesta terça-feira (18), mostrou liderança de Jair Bolsonaro (PSL) e melhora muito significativa de Fernando Haddad (PT). Dias antes, o Datafolha mostrava o petista empatado com Ciro Gomes (PDT). Divulgados mais ou menos duas vezes por semana, esses levantamentos têm dominado o noticiário.

Os resultados dos candidatos reagem à campanha e a outros fatos sobre os quais ninguém envolvido no processo eleitoral tem controle – como o atentado ao presidenciável Jair Bolsonaro. O Terra compilou os resultados das pesquisas feitas pelos dois principais institutos do Brasil (Ibope e Datafolha) desde o começo oficial da campanha eleitoral. Também incluiu em ordem cronológica os principais fatos políticos das últimas semanas.

Para ler pesquisas, é importante saber que elas não são 100% certeiras. Entre a coleta de dados a divulgação dos resultados, por exemplo, algo significativo pode acontecer e mudar a intenção de votos de várias pessoas. Alguns políticos jogam suspeição sobre os levantamentos comparando dados antigos com o resultado das eleições. Trata-se de um erro. Pesquisas são um retrato de um momento específico, não permanente.

Candidatos participam do debate da Rede TV!
Candidatos participam do debate da Rede TV!

Foto: Paulo Whitaker / Reuters

Os institutos calculam a possibilidade de os resultados estarem de acordo com a realidade – em geral, trabalham com um nível de confiança de 95%. Também divulgam uma margem de erro. Se ela for de dois pontos, significa que um candidato com 10% das intenções de voto pode ter de 8% a 12%.

Apesar de imperfeitas, são a fonte de dados mais confiável existente sobre o processo eleitoral. Tanto que candidatos com campanhas ricas o suficiente para encomendar levantamentos encomendam e modulam o discurso de acordo com os resultados.

Também é importante ter em mente que não se deve comparar números de pesquisas feitas por institutos diferentes. Como eles usam métodos distintos uns dos outros, o certo é olhar Ibope com Ibope e Datafolha com Datafolha.

Números e fatos

A campanha começou oficialmente em 16 de agosto. Ou seja, a partir dessa data os candidatos poderiam fazer comícios, distribuir santinhos e pedir votos. Na prática, políticos já faziam campanha antes. Tomavam cuidado, porém, para não incorrer em algo que pudesse ser contestado na Justiça.

O registro das candidaturas havia tido seu último dia na véspera, 15 de agosto. Entre os candidatos cadastrados, estava o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, então líder nas pesquisas. Haddad, atual representante do PT, tinha intenção de voto discreta.

Ibope – divulgada em 20 de agosto

  • Jair Bolsonaro (PSL) – 20%
  • Marina Silva (Rede) – 12%
  • Ciro Gomes (PDT) – 9%
  • Geraldo Alckmin (PSDB) – 7%
  • Fernando Haddad (PT) – 4%

Terra preferiu destacar o cenário com Fernando Haddad testado na época, porque ele é quem efetivamente vai disputar a eleição – mesmo naquela altura, isso já era esperado por quem acompanha o processo mais de perto. O PT, porém, preferiu manter o discurso de que o ex-presidente era candidato. Como estava registrado, estava em um cenário do levantamento:

  • Lula (PT) – 37%
  • Jair Bolsonaro (PSL) – 18%
  • Marina Silva (Rede) – 6%
  • Ciro Gomes (PDT) – 5%
  • Geraldo Alckmin (PSDB) – 5%

Informações colhidas de 17 a 19 de agosto, margem de erro de dois pontos percentuais

Datafolha – divulgada em 21 de agosto

  • Jair Bolsonaro (PSL) – 22%
  • Marina Silva (Rede) – 16%
  • Ciro Gomes (PDT) – 10%
  • Geraldo Alckmin (PSDB) – 9%
  • Fernando Haddad (PT) – 4% (Alvaro Dias, do Podemos, também tinha 4%)

Assim como na pesquisa Ibope divulgada dias antes, o Datafolha testou cenários com o ex-presidente Lula:

  • Lula (PT) – 39%
  • Jair Bolsonaro (PSL) – 19%
  • Marina Silva (Rede) – 8%
  • Geraldo Alckmin (PSDB) – 6%
  • Ciro Gomes (PDT) – 5%

Informações colhidas em 20 e 21 de agosto, margem de erro de dois pontos percentuais

O ex-presidente Lula está preso em Curitiba, condenado em segunda instância no processo do tríplex no Guarujá. Para manter a candidatura, o PT enfrentava uma batalha judicial. Essa disputa teve fim na madrugada de 1º de setembro, quando o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) decidiu que o ex-presidente não poderia ser candidato por causa da lei da ficha limpa.

O julgamento teve um impacto bem pragmático nas pesquisas, que são fortemente reguladas pelo TSE. Sem saber se poderia divulgar os resultados do seu levantamento feito de 1 a 3 de setembro, já sem Lula, o Ibope atrasou a publicação dos dados em um dia.

O Datafolha cancelou a pesquisa que faria de 4 a 6 de setembro, pois havia registrado para o levantamento um questionário com Lula. Acabou realizando nova pesquisa em 10 de setembro, e a divulgou no mesmo dia.

Em 31 de agosto, também começou o horário eleitoral no rádio e na televisãohistoricamente determinante nas eleições. Os desempenhos de Alckmin e de Bolsonaro sugerem que a influência desse recurso de campanha já não é mais a mesma.

Com quase metade do tempo de TV, Alckmin não só não decolou nas intenções de voto como, mostrariam as pesquisas posteriores, oscilou para baixo. Por outro lado, Bolsonaro mostrou um crescimento lento e constante com seus poucos segundos de TV.

Antes de tudo isso, em 10 de agosto, os candidatos tiveram sua primeira aparição conjunta na televisão, no debate da Band. O grande personagem da ocasião, porém, foi Cabo Daciolo (Patriota). Após trazer uma teoria da conspiração contra Ciro Gomes (PDT), Daciolo foi motivo de chacota nas redes sociais.

Ibope – divulgada em 5 de setembro (atrasou divulgação por causa do impasse do Lula)

  • Jair Bolsonaro (PSL) – 22%
  • Marina Silva (Rede) – 12%
  • Ciro Gomes (PDT) – 12%
  • Geraldo Alckmin (PSDB) – 9%
  • Fernando Haddad (PT) – 6%

Informações colhidas de 1 a 3 de setembro, margem de erro de dois pontos percentuais

A pesquisa Datafolha feita e divulgada em 10 de setembro, além de ser a primeira após o TSE barrar Lula, também pegou os primeiros efeitos do atentado a Jair Bolsonaro. Ele oscilou para cima 2 pontos percentuais após ser esfaqueado em ato de campanha na cidade mineira de Juiz de Fora.

Quando a intenção de voto de um político cresce dentro da margem de erro, não é possível dizer que ele progrediu nas pesquisas. Os levantamentos posteriores, porém, mostraram que a tendência para Bolsonaro era realmente de alta. É importante lembrar: pesquisas do Datafolha só podem ser comparadas com outras feitas pelo Datafolha, com o mesmo método.

Jair Bolsonaro (PSL) está internado no Hospital Albert Einstein.
Jair Bolsonaro (PSL) está internado no Hospital Albert Einstein.

Foto: Flávio Bolsonaro / Divulgação / Estadão Conteúdo

Datafolha – divulgada em 10 de setembro

  • Jair Bolsonaro (PSL) – 24%
  • Ciro Gomes (PDT) – 13%
  • Marina Silva (Rede) – 11%
  • Geraldo Alckmin (PSDB) – 10%
  • Fernando Haddad (PT) – 9%

Informações colhidas em 10 de setembro, margem de erro de dois pontos percentuais

Em 11 de setembro o Ibope divulgou sua primeira pesquisa após o ataque a Bolsonaro. Também acusou crescimento do candidato. No mesmo dia 11, o PT anunciou oficialmente que Haddad seria seu candidato, e começou a campanha pelo ex-prefeito de São Paulo.

O partido tenta transferir para Haddad os votos que o ex-presidente Lula teria, processo que pesquisas posteriores mostrariam bem sucedido. Esse levantamento do Ibope, porém, não sofreu influência desse processo: as informações foram colhidas entre 8 e 10 de setembro, antes do anúncio de Haddad.

Ibope – divulgada em 11 de setembro

  • Jair Bolsonaro (PSL) – 26%
  • Ciro Gomes (PDT) – 11%
  • Marina Silva (Rede) – 9%
  • Geraldo Alckmin (PSDB) – 9%
  • Fernando Haddad (PT) – 8%

Informações colhidas de 8 a 10 de setembro, margem de erro de dois pontos percentuais

A pesquisa do Datafolha divulgada em 14 de setembro, com coleta de dados nos dias 13 e 14, trouxe os primeiros sinais de que a estratégia do PT estava funcionando. Haddad pulou de 9% para 13%, crescimento fora da margem de erro.

Bolsonaro oscilou dentro da margem em relação ao levantamento anterior do mesmo instituto. Comparando com a intenção de voto registrada na primeira pesquisa da série, porém, é constatada tendência de alta.

O candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad
O candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad

Foto: Rodolfo Buhrer / Reuters

Datafolha – divulgada em 14 de setembro

  • Jair Bolsonaro (PSL) – 26%
  • Ciro Gomes (PDT) – 13%
  • Fernando Haddad (PT) – 13%
  • Geraldo Alckmin (PSDB) – 9%
  • Marina Silva (Rede) – 8%

Informações colhidas em 13 e 14 de setembro, margem de erro de dois pontos percentuais

Assim como a pesquisa do Datafolha, o levantamento do Ibope também registrou a tendência de alta de Bolsonaro. A grande novidade, porém, foi a velocidade do crescimento de Haddad.

Enquanto o Datafolha, com dados colhidos de dois a três dias depois da oficialização e começo de fato da campanha do PT apresentando Haddad como candidato de Lula, mostrou crescimento de 4 pontos, o Ibope, com informações de até uma semana após o anúnciou, mostrou um avanço de 11 pontos do petista.

Ibope – divulgada dia 18 de setembro

  • Jair Bolsonaro (PSL) – 28%
  • Fernando Haddad (PT) – 19%
  • Ciro Gomes (PDT) – 11%
  • Geraldo Alckmin (PSDB) – 7%
  • Marina Silva (Rede) – 6%

Informações colhidas de 16 a 18 de setembro, margem de erro de 2 pontos percentuais

19, setembro, 2018|