Audiência indica Protocolo de intenções para criação de rede de proteção

O protocolo de intenções para a criação da rede de enfrentamento da mulher vítima de violência doméstica e familiar será assinado no dia 27 de maio, às 14 horas, no Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Esta é uma das resoluções retiradas das discussões da Audiência Pública “Enfrentamento da violência familiar contra mulher: Juntos por uma rede estruturada de atendimento em Mato Grosso”. A desembargadora Maria Erotides Kneip, que coordenou os trabalhos da audiência, comemorou o resultado. “A assinatura é para mim a resolução mais importante que sai desta audiência púbica, pois é o primeiro passo para efetivação dessa rede”, declarou.

A audiência foi realizada pelo Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio da Corregedoria-Geral da Justiça (CGJ-MT), na sexta-feira (26 de abril). O auditório do Fórum de Cuiabá foi tomado por cerca de 400 pessoas, entre estudantes, militantes do movimento de igualdade, mulheres de vários bairros da Capital, comitivas de cidades como Rondonópolis e Sinop, políticos, policiais, defensores públicos, promotores e magistrados.

Durante o evento três eixos  foram debatidos: “Implantação da rede de proteção à mulher vítima de violência doméstica”, apresentado pelos magistrados Gerardo Humberto Alves Silva Junior e Tatiane Colombo e pela advogada Ana Emília Iponema Brasil Sotero; “Feminicídio – como fazer o enfrentamento”, painel exposto pelas magistradas Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa e Amini Haddad Campos e pela delegada da Polícia Judiciária Civil, Jozirleth Magalhães Criveletto, titular da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá – DEDM/PJC-MT; e “Estruturação dos conselhos municipais de direitos da mulher”, realizado pelos magistrados Jeverson Luiz Quinteiro e Jamilson Haddad Campos e pela promotora de Justiça Sasenazy Soares Rocha Daufenbach.

Após as explanações a plateia pode expor sua opinião. O evento foi transmitido ao vivo pelo canal do Youtube do Tribunal de Justiça e contou com manifestações dos internautas. Foram mais de oito horas de discussão e o evento só terminou por volta das 21h30, depois que todos nos inscritos presentes puderam fazer uso da palavra.

Não era planejamento dos organizadores, mas muitas mulheres se sentiram à vontade para relatar casos de violência que sofreram. “Em 1994, em Tangará da Serra, quando eu tinha 22 anos, grávida de quatro meses fui agredida pelo meu companheiro, dei entrada no hospital e quase perdi meu filho. Denunciei e meu agressor pagou um tanque de combustível para a viatura da PM e o BO foi rasgado”, revelou uma das participantes emocionada. “Hoje temos a Lei Maria da Penha, temos algum respaldo”.

Mesmo com o avançado da hora, os inscritos não arredaram o pé e fizeram questão de contar casos vivenciados, dar sugestões, pedir encaminhamentos. Para a desembargadora foi um dos momentos mais ricos do evento. “Ficar numa sexta-feira até tarde da noite discutindo a rede de enfrentamento vale muito a pena. Se fosse para começar tudo de novo, eu faria”, declarou ao final do encontro.

 

 

 

Por; Alcione dos Anjos/TJMT

2, maio, 2019|