Árvores são solução para clima inóspito de Cuiabá, avalia médico

26/01/2019 – O médico alergista, imunologista e pediatra Celso Saldanha Taques realizou uma pesquisa de associação ecológica relacionando a climatologia de Cuiabá com enfermidades respiratórias que afetam a população. Na dissertação de mestrado, o médico e atual professor doutor da Universidade de Brasília (UnB) constatou que a característica inóspita do clima de Cuiabá tem a tendência de ficar cada vez pior se a população e os entes públicos não darem um basta nos fatores que agravam essas condições.

Dentre os fatores naturais que causam sofrimento térmico aos cuiabanos, estão a baixa altitude, pouca umidade, grande índice de insolação, poucos ventos e queimadas, sobretudo no período seco (maio a outubro), como ação natural e como costume popular. Paralelamente, o crescimento da construção civil em Cuiabá retira milhares de árvores diariamente, aumenta a área concretada e asfaltada, absorvendo mais caloria e intensificando a ação do efeito estufa.

“Nós temos uma região inóspita. Para compensar isso, a natureza compôs nossa cidade com vegetações, muitos riachos, córregos, muitas nascentes na tentativa de umidificar a região para o povo viver feliz. No entanto, a ação humana está construindo muitos prédios, colocando concreto e asfalto que absorvem calor; os riachos estão todos estragados, acabou com a umidade, e tudo isso tornou nosso clima mais frágil. Temos que dar um basta. Estamos sofrendo mais”, alerta o médico.

Uma das soluções para mudar esse cenário é o projeto de arborização Verde Novo, encabeçado pelo Poder Judiciário e Prefeitura de Cuiabá. Celso Saldanha acredita que o projeto poderá repor aquilo que foi retirado para dar o equilíbrio, melhorar a estética da cidade, o conforto térmico da população e favorecer a fauna ainda existente na região urbana.

“Quando se fala em plantio de árvores, nós estamos simplesmente repondo aquilo que nós tiramos. Esse projeto é importantíssimo. Cuiabá era conhecida como a Cidade Verde e hoje não temos mais essa característica, então precisamos sim plantar nossas árvores. As árvores fazem o processo de evapotranspiração, que absorve o gás carbônico e elimina água, além de ter sombras, combater a incidência solar, melhorar a umidade do ar que chega às vias aéreas, isso sem contar com a parte visual, do verde, dos animais e a questão do conforto humano”, enfatiza.

Verde Novo – O projeto foi lançado em dezembro de 2017 pelo Poder Judiciário de Mato Grosso e parceiros, de modo que milhares de mudas já foram distribuídas e plantadas na Capital. O juiz titular do Juizado Volante Ambiental (Juvam), Rodrigo Curvo, ressaltou o fato de que Cuiabá está muito abaixo dos índices de arborização satisfatórios, se comparada com outras capitais do Centro-Oeste.

“Nesse sentido, o Juvam apresentou o projeto com a finalidade de mobilizar a cidade, buscar parceiros para cooperar e atingir nossa finalidade. O Poder Judiciário também compõe o poder público e por isso a justificativa pela qual nós temos a legitimidade para provocar essa mobilização da cidadania cuiabana visando à arborização. O Judiciário é visto com a atuação tradicional do poder, que seria o julgamento de processos. Porém, a área ambiental exige também ações não-convencionais como esta, que visam a conscientização ambiental”, enfatizou.

Acompanhe as próximas ações do projeto Verde Novo pelo site do TJMT, pela TV.JUS e também pelas mídias sociais do PJMT: FlickrFacebookInstagramTwitterWhatsapp eYoutube.

Po; Mylena Petrucelli/ Foto; Assessoria

26, janeiro, 2019|