Amam: Taques fez compromisso com Judiciário, mas não cumpriu

19/09/2018 – O presidente da Associação Mato-Grossense dos Magistrados (Amam), juiz José Arimatéa Neves Costa, afirmou que o Judiciário deu à gestão do governador Pedro Taques (PSDB) uma “credibilidade” que não era merecida.

A declaração foi feita em encontro com o candidato ao Governo Mauro Mendes (DEM), na última segunda-feira (17), na sede da Amam. Como exemplo, o magistrado citou os R$ 20 milhões que seriam emprestados do orçamento do Poder Judiciário para a construção de 15 centros de ressocialização. A medida, entretanto, não se concretizou e o convênio não foi assinado.

“Todos devem lembrar que em 2015 o Judiciário chegou a fazer uma proposta de repassar do nosso orçamento R$ 20 milhões para serem aplicados na criação e instalação de novas unidades para adolescentes infratores, um problema crônico de décadas da Justiça. Naquele momento, a própria associação apoiou a proposta do Tribunal porque havia essa credibilidade”, disse Arimatéa.

“Depois, vimos que essa credibilidade não era merecida, porque começou a haver falta de transparência, começou a haver compromissos não cumpridos”, afirmou. No encontro, o presidente da Amam pediu que o próximo governador do Estado aja com transparência e tenha diálogo com os Poderes.

“Se não pode, já diz logo que não pode. O problema é fazer o compromisso e não cumprir. Criar a expectativa e frustrar essa expectativa”, disse. “É isso que nós precisamos trabalhar no relacionamento entre Judiciário e Executivo. Que tenha transparência e honestidade. Nós precisamos disso para haver uma estabilidade na relação”, afirmou.

Clima hostil

Segundo o site Midianres, o candidato Mauro Mendes também afirmou, no encontro com os magistrados, que a gestão de Taques criou um “conflito velado” e um “clima hostil” entre os Poderes do Estado. Para ele, o fato gerou perda de energia e falta de foco para resolução dos problemas do Estado. E defendeu que o eleitorado escolha um candidato com credibilidade e aceitabilidade para conduzir o diálogo.

“O primeiro passo que precisamos tomar em Mato Grosso é pacificar as relações das nossas instituições. Não dá para viver em um Estado, como vivemos nos últimos anos, com claro ou velado conflito entre os Poderes. Porque houve isso durante muito tempo aqui no Estado: um conflito velado entre os Poderes”, disse.

“Com o Tribunal de Contas meio de bico com a Assembleia; a Assembleia de bico com o Ministério Público; o Ministério Público brigando com o Judiciário; o Judiciário brigando com o Executivo. Não sei quem brigando com mais não sei quem, um ameaçando o outro. Um clima muito hostil de relacionamento”, afirmou.

 

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19, setembro, 2018|