Acusados de matar personal trainer são presos pela Federal por estelionato

21/11/2018 – Acusados de matar o personal trainer Danilo Campos, de 28 anos, Guilherme Dias de Miranda, 35 anos, e Walisson Magno de Almeida, 27 anos, também fariam parte de uma organização criminosa de estelionatários. A informação foi divulgada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (21).

Os dois foram alvos da Operação Nascostos, deflagrada nesta manhã em três Estados brasileiros: Mato Grosso, São Paulo e Mato Grosso do Sul. A quadrilha investigada utilizava, desde 2011, nomes de terceiros para comprar passagens aéreas – entre as vítimas, um juiz federal -, alugava carros, não devolvia e, ainda, estaria envolvida com tráfico nacional e internacional de drogas.

Em Cuiabá foram cumpridos seis mandados de prisão – quatro temporários e dois preventivos -, estando entre os alvos os acusados de matar o personal e a ex-mulher de Guilheme, Yonar Sudré Avelino, que retomou um relacionamento com ele enquanto o acusado estava preso.

Yonar foi encontrada pela Polícia Federal com uma Mitsubishi Pajero, que seria de um dos casos em que a quadrilha alugou o carro e não devolveu, roubando-o. Guilherme, Walisson, Yonar e os outros três alvos de Cuiabá atuariam como estelionatários, ou como recebedores dos carros alugados não devolvidos.

Também foram cumpridos na Capital mato-grossense nove mandados de busca e apreensão. Em todo o país, no total, foram cumpridos 27 mandados de busca e apreensão, nove de prisões temporárias e cinco de preventivas.

Em entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira (21), o delegado Márcio Magno Carvalho Xavier, de Sorocaba, onde a investigação teve início, afirmou que a operação está com a Polícia Federal porque uma das vítimas de estelionato é um juiz federal, além de as investigações apontarem para o tráfico internacional de drogas.

“Esse estelionato era praticado com o uso de documentos falsos e cartões clonados, de diversas vítimas, dentre estas um juiz federal. Os estelionatários alugavam veículos de diversas locadoras no Brasil, comprovam passagens aéreas para diversas pessoas, faziam financiamentos em nome de terceiros, com documentos falsos, e também faziam reservas em hotéis”, disse o delegado.

O delegado Márcio Magno Carvalho Xavier, responsável pela investigação (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Segundo Márcio Magno, alguns dos beneficiários de passagens compradas pela quadrilha foram presos por tráfico. Um exemplo foi uma jovem presa, no estado do Acre, com 2 kg de cocaína, que iria embarcar utilizando uma dessas passagens adquiridas com documentos falsos e cartões clonados.

“Outro integrante, que tem mandado de prisão expedida, que está sendo cumprida em Presidente Prudente, no interior de São Paulo, foi preso com 1 tonelada e 400 de maconha. Esses criminosos têm atuação no Brasil inteiro. Parte do grupo estava em Cuiabá, parte em Campo Grande (MS) e parte em São Paulo (SP)”, relatou Magno.

Também estão sendo ouvidas pessoas no Acre, em Niterói (RJ), Foz do Iguaçú (PR) e Distrito Federal. A operação investiga crimes de estelionato, uso de documento falso, organização criminosa, que está sendo investigado se há ligação com o Comando Vermelho e o PCC, e associação ao tráfico nacional e, possivelmente, internacional.

“Há indícios de que existe essa possibilidade de vínculos com facções criminosas. Essa organização que a gente está apurando aqui, ela tanto pode ser uma célula de alguma facção, como pode prestar serviço para alguma facção nessa parte logística, isso que a gente está buscando confirmar, ou afastar”, afirmou o delegado.

 

Por; Karina Cabral/ O Livre

21, novembro, 2018|